Exames Laboratoriais

Oi amores, tudo bem?

 

O tema desse post é de extrema importância. Entendendo essa parte do assunto, você vai ter a dimensão de como a abordagem da Medicina Integrativa difere da abordagem tradicional.

 

Umas das frases mais ditas durante a graduação de medicina é:

“A clínica é soberana”.

Depois que nos formamos temos que lidar com uma realidade totalmente diferente. Todo o sistema de saúde nos obriga a atender cada vez mais pacientes em um curto espaço de tempo, isso acaba prejudicando nossa sensibilidade em relação às queixas dos nossos pacientes, nosso tempo pra um exame físico completo fica escasso, isso tudo somado a uma rotina pesada e aos inúmeros pacientes simulando doenças para ganhar um atestado ( quem já foi ao pronto socorro em uma segunda feira e depois em um dia de feriado, sabe a diferença gritante no número de pacientes aguardando).

O que acontece é que cada vez esses fatores vão deixando o atendimento mais mecanizado e racional. O paciente já chega com a queixa e todas as possibilidades de diagnóstico que ele pesquisou no Google e, muitas vezes, exige exames, que sabemos que são desnecessários, mas nos sentimos coagidos a pedir.

O resultado disso tudo é que o exame físico e o raciocínio médico, que são coisas subjetivas, passam a ser menosprezado pelos  pacientes. Ele não entende que o diagnóstico é feito por um processo de raciocínio trabalhado por 6 anos durante a faculdade em que cruzamos dados clínicos, com exame físico e, quando necessário, exames COMPLEMENTARES, que podem ser laboratoriais, radiológicos entre outros.

O paciente quer algo palpável e os exames dão isso a ele.

O que o paciente nunca parou para pensar é: Baseado em que, esse exame está dando esse valor como um valor normal? De onde eles tiraram os valores de referência dos exames laboratoriais?

E é justamente sobre isso que vou falar.

 

Curva de Gauss

 

Voltando ao Ensino Médio, quem lembra dessa figura?

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Queria lembrar a você, caro leitor, que tudo que você fez questão de aprender apenas para passar na prova, um dia a vida irá te cobrar e você terá que reestudar!

Essa curva é a famosa Curva de Gauss. O matemático Gauss inventou essa função e colocou ela na forma de gráfico para avaliar em estatística, a função normal.

Quero que você atente que a palavra “normal” usada na matemática tem significado de “comum” enquanto na medicina ela é usada como sinônimo de “saudável”.

Pois bem, esclarecido isso, vou te contar como o seu laboratório de escolha coloca um número como normal ( comum ) no valor de referência.

Vou usar como referência, por exemplo, o valor da Hemoglobina.

Ele pega uma quantidade X de pessoas e dosa a hemoglobina de todo mundo e coloca nessa forma estatística de avaliar os valores. Dependendo do parâmetro, eles ainda separam por sexo, por idade, ou por fase do ciclo menstrual ( no caso de alguns hormônios), porém eles não têm como separar todas as variáveis possíveis e dentro dessa população encontramos pessoas de todos os tipos, saudáveis ou não, com variados estilos de vida, hábitos alimentares, tendências genéticas e etc.

Quando o seu resultado vem “normal” isso só quer dizer que você tem um resultado comum a 95% da população, mas isso em hipótese nenhuma diz se você está saudável ou doente.

Se nós estivéssemos avaliando exames laboratoriais de acordo apenas com esse valor “normal”, nós estaríamos pedindo exames sempre pra descobrir quem são os 5% “anormais” da população ( 2,5 para mais ou para menos). Entende o quanto isso é absurdo?

 

Então não devo colher exames?

 

A questão não é que você não deva colher exames. Aliás, na Nutrologia e na Medicina Integrativa, pede-se muitos exames. A questão é que não ficamos presos a valores de referência e cruzamos os dados dos parâmetros para entender melhor sua condição no momento. Não adianta, gente. Medicina não é matemática e não é analisando e generalizando números fixos que se dá um diagnostico de saúde ou de doença e se traça uma conduta.

Um dos conceitos interessantes que aprendi após a faculdade foi o de analisar os exames pelo aspecto dos quartis.

Tudo que é bom e faz bem deve estar no quartil superior, perto do limite máximo do valor de referência, e tudo que é ruim ou prejudicial deve estar zerado ou o mais próximo possível do valor mínimo de referência. Com isso eu tento minimizar discrepâncias, porém ainda não é algo que vá funcionar para TODOS os pacientes.

Por isso a consulta é demorada, por isso não tem como você me mandar seus exames por e-mail e perguntar se está tudo bem, sem eu ter feito uma anamnese e um exame físico ( aliás, isso é proibido, ok?).

E lembram do post da Vitamina D?

Muita gente me perguntou quais os níveis ideais.

Varia de acordo com cada laboratório mas geralmente vem assim:

– Deficiência <20 nmol/L

– Insuficiência 21-29 nmol/L

– Valores normais 30 a 100 nmol/L

Mas pensando em Medicina Integrativa e prevenção de doenças?

De 82 a 100 nmol/L

Viram a diferença?

“Não é sinal de saúde estar ajustado a uma sociedade profundamente doente”.

 

Eu não pretendo com esse espaço dar todas as respostas, até porque em ciência nada é definitivo. Eu quero estimular questionamentos, porque só questionando a gente aprende e evolui.

Beijos

Dra. Kamila Teles

 

OBS: Essas informações não servem como consulta médica.

Procure seu médico para orientações específicas.

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